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anakeniger
Convidado

comentário saviani

em Seg Jan 22, 2018 5:24 pm
Durante a entrevista, Saviani expõe uma contradição referente à inviabilidade de serem atingidas as metas do PNE em função da PEC do Teto de Gastos – afinal, como se pretende chegar ao investimento de 10% do PIB em educação – até 2024! – congelando-se os gastos por 20 anos?! Nessa mesma lógica, pode-se perceber outra grande incoerência, dessa vez no que diz respeito à reforma do E.M. e ao programa Escola sem Partido. Segundo esta primeira medida, seriam propostos os cinco itinerários já citados por Saviani, cuja escolha ficaria a cargo do próprio aluno – prometendo assim, flexibilidade e possibilidade de escolha; já o segundo, porém, vai à direção oposta à liberdade de pensamento e à criticidade. Isto é, além de se esperar que um jovem de 15 anos faça uma escolha “decisiva” para sua vida, espera-se que ele faça isso sem o auxílio do pensamento crítico.

Em uma entrevista com o professor Licínio Lima, na ocasião que esteve na cidade para a Aula Inaugural do curso Gestão Democrática: da avaliação ao planejamento participativo nas escolas estaduais do RS, o professor faz questão de reiterar a politicidade da educação, dizendo que "Não há educação que não seja política.". Portanto, uma educação "neutra" representaria um empecilho na promoção de experiências democráticas, as quais são construídas com base na criticidade, na reflexão e no diálogo. Se não houver a possibilidade de se expressarem diferentes pontos de vista em relação aos mais diversos assuntos, sejam eles polêmicos ou não, não será criada a possibilidade de crescer e de aprender com a diversidade - que é inevitável - em uma sala de aula.

As colocações sobre a reforma do E.M., principalmente quando o professor Saviani utiliza os termos “elite condutora” e “povo conduzido”, me remetem às aulas em que falamos sobre Durkheim e sobre a organização da sociedade, que estabelece o futuro – e a educação – de um indivíduo baseando-se em sua realidade social, ou seja: quem é elite sempre o será; quem é povo sempre o será – lógica essa que perpetua a desigualdade social.
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